sábado, 11 de Julho de 2009

Ri-te, ri-te.

Psssst, ó amigo. Eu ouvi isto, mas não olhei. Não pensei que fosse comigo e lá fiquei, quieto, à espera da minha vez para ser revistado pela única mulher-polícia que integrava a barreira de segurança, à entrada do Festival Alarve. Os agentes eram uns sete ou oito, lado a lado, em busca de garrafas de vidro, psicotrópicos, very-lights, marmitas caseiras e pontimolas. A menos que deitemos mão a metáforas de muito duvidável gosto, eu não tinha nada disso comigo. Tirando uma leve vontade de matar ídolos-que-ainda-não-o-são e de dizer que os Ting Tings são fraquinhos, tinha achado por bem deixar o arsenal branco, químico e de fogo em casa. E portanto estava calmo, na fila que se formava à minha frente, à espera de ver a minha eventual má-vontade consfiscada por uma agente da autoridade.

Mas ele repete: psssst, ó amigo, desta vez a falar mais grosso. Olho então para a direita e vejo que é comigo que o polícia da ponta fala. Pode vir por aqui que está livre, diz-me ele a sorrir. Eu saio da minha fila, vou para o polícia vago e ponho-me a jeito. Não abro os braços nem afasto as pernas, mas quase. Penso vá, manda-me lá tirar as chaves de casa, o maço de tabaco, o tubo de pastilha elástica líquida dos anos oitenta que tenho no bolso - a ver se me importa. Não estivesse eu entretido a pensar no quão longe de repreensões ou detenções me apresentava, e mais cedo teria percebido de que é que e o guarda ria. Enquanto me sentia os gémeos, as coxas, as virilhas, a cintura e o os peitorais, o polícia puxou para si todo o puto xarila que nele ainda vivia. E disse-me: querias ir para ali não era, gostavas mais daquela fila não era, pois, também eu gostava.

Aqui rimo-nos muito os dois e, quem tivesse assistido à cena, pensaria que nos ríamos do mesmo.

6 comentários:

miguel disse...

lovely, pena os praços.

Achigã (Filipe Ferreira da Silva) disse...

pois, imagino o quanto riste!! ;-)

K. disse...

"a ver se me importa."
Adoro ler-te, pá.

ZEP disse...

por um momento pensei que ele te fosse segredar "eu leio o cálssio, pah!"

daniel disse...

:))))

TTC disse...

quem se riu, e muito, a ler este texto fui eu!

cada vez melhor antónio