11 de Julho de 2009

Tomem (dez mp3).

Tiago Guillul - Beijas Como Uma Freira Stars - Undertow WhoMadeWho - Keep My In My Plane (Modernaire remix) Men - Off Our Backs Florence + The Machine - Dog Days Are Over Joanna Newsom - Sprout And The Bean Mala Rodriguez - Nanai Janet Jackson - Rock With U Lykke Li - Dance Dance Dance (Grandtheft remix) When Saints Go Machine - You Should Be Someone Else (Moulinex remix)

Ri-te, ri-te.

Psssst, ó amigo. Eu ouvi isto, mas não olhei. Não pensei que fosse comigo e lá fiquei, quieto, à espera da minha vez para ser revistado pela única mulher-polícia que integrava a barreira de segurança, à entrada do Festival Alarve. Os agentes eram uns sete ou oito, lado a lado, em busca de garrafas de vidro, psicotrópicos, very-lights, marmitas caseiras e pontimolas. A menos que deitemos mão a metáforas de muito duvidável gosto, eu não tinha nada disso comigo. Tirando uma leve vontade de matar ídolos-que-ainda-não-o-são e de dizer que os Ting Tings são fraquinhos, tinha achado por bem deixar o arsenal branco, químico e de fogo em casa. E portanto estava calmo, na fila que se formava à minha frente, à espera de ver a minha eventual má-vontade consfiscada por uma agente da autoridade.

Mas ele repete: psssst, ó amigo, desta vez a falar mais grosso. Olho então para a direita e vejo que é comigo que o polícia da ponta fala. Pode vir por aqui que está livre, diz-me ele a sorrir. Eu saio da minha fila, vou para o polícia vago e ponho-me a jeito. Não abro os braços nem afasto as pernas, mas quase. Penso vá, manda-me lá tirar as chaves de casa, o maço de tabaco, o tubo de pastilha elástica líquida dos anos oitenta que tenho no bolso - a ver se me importa. Não estivesse eu entretido a pensar no quão longe de repreensões ou detenções me apresentava, e mais cedo teria percebido de que é que e o guarda ria. Enquanto me sentia os gémeos, as coxas, as virilhas, a cintura e o os peitorais, o polícia puxou para si todo o puto xarila que nele ainda vivia. E disse-me: querias ir para ali não era, gostavas mais daquela fila não era, pois, também eu gostava.

Aqui rimo-nos muito os dois e, quem tivesse assistido à cena, pensaria que nos ríamos do mesmo.

Bon Iver ao vivo (download).



Há exactamente duas semanas atrás, a 27 de Junho, Bon Iver subiu a um dos palcos do festival britânico de Glastonbury. Depois de vários meses a promover ao vivo o álbum For Emma, Forever Ago e o EP Blood Bank, a banda de Justin Vernon apresenta-se cada vez mais sólida, segura, coesa, confiante. A fragilidade e a melancolia de temas como Creature Fear ou Wolves já não soam tanto a vontade de fazer as pazes, mas antes ao timbre que quem segue (mas não esquece) costuma ter. Bon Iver já não tem saudades dela, e um mar de gente com os versos de Skinny Love na ponta da língua deve ter ajudado a seguir caminho.

A nuvem de som aqui em cima pode ser descarregada. O mp3 isolado de Skinny Love (ao vivo em Glastonbury) mora aqui. E agora todos: and I told you to be patient / and I told you to be fine / and I told you to be balanced / and I told to be kind...

Diamantino Aleixo.


Apresento-vos Diamantino Aleixo e o primeiro dos conselhos que ele deixou ao seu neto Bruno:

As mulheres gordas são as melhores amantes. Escolhe sempre uma mulher gorda e limpa.

Os Conselhos Que Te Deixo, por Diamantino Aleixo, aqui.

8 de Julho de 2009

Apanhados na rede #3.

Para ilustrar mais esta ronda comentada pelas pesquisas que redireccionam internautas para o Cálssio, pensei pôr uma grande rede e uma aranha pequena e venenosa, sendo que a aranha pequena e venenosa simbolizar-me-ia a mim. Como gosto pouco de coisas óbvias, arranjei outra imagem.
  • Terceira colaboração entre o realizador David Fincher e o actor Brad Pitt - Gosto destes pesquisadores que escrevem tudo muito bem escritinho. Por extenso, com maiúsculas, sem abreviaturas. Digitar apenas Benjamin Button parece-lhes insuficiente.
  • mulher feia que canta bem - Já não me lembro do nome dela. Suspeito, contudo, que continuará a ser feia nos dias de rouquidão.
  • adivinhas veneno - Duas palavras, um belo poema a pedir para ser dito. Adivinhas veneno / suspeitas armadilhas / ou te deitas sobre o feno / ou ponho-me já a milhas.
  • a minha prima - A tua prima não aparece na internet, chaval. É feia.
  • ensames de codigo.com - Não se ponham com piadinhas malévolas, leitores do Cálssio. Assim como assim, os sinais de trânsito quase só têm bonecos, e STOP ele deve conseguir ler.
  • frases com ah - Ah, leão! / Ah, meu grande estupor! / Ah, não sabia. / Ah, sim? / Ah, muito me contas. / Ah, que bom... Enfim. Ah muitas.
  • moldavo porquinho - Digitam tanta coisa nos motores de busca, mas incluir o contacto do moldavo porquinho está quieto. Mas deixem estar. Procuro sozinho.
  • frase que sujere xantagem - Ou me depositas cinco mil aéreos na conta, ou revelo já à Edite Estrela a origem do computador de onde te ligas.
  • fizeste-me mal - Estava com os copos, desculpa lá. Mas tentamos outra vez e faço-te como deve ser, prometo.
  • gossip novo album download - Deve achar que há filhos e enteados, este. Uns a comprar o disco e outros a obter a mesmíssima coisa a custo zero. Estás a ler isto, Miguel Oliveira da Sony Music Portugal? A desfaçatez com que este tipo chega à net e começa a cometer crimes? Toma lá o IP dele (195.23.249.#) e explica-lhe que sem dinheirinho, não há disquinho de Gossip. Tu prende-me esse gatuno.
  • www.velhinhajeova.com - Ser velhinha não chegava.
  • zé dos fingertips beija rapaz no trumps - Mas na Marcha nem vê-lo.
  • acharam corpos no titanic - Não te fies nisso, amiga cibernauta. Eram, muito provavelmente, animais marinhos de grande porte.
  • cultivo couves de brochelas - Subsídio para a escoagem do produto para todo o país, já.
  • palavras que tenha ovo - Povo. Novo. Omoleta.
  • a melhor frase que um tio poderia ler - Ó tio, então mas se é a cegonha, para que é que isto serve?
  • floribela adopta um pretinho - Pois é, não podem ver nada. Se a Madonna se atirasse para um poço...
  • fobia de perguntar - Maleita de que padece a Ana Lourenço, aquela entrevistadora da SIC-Notícias cuja fotografia passou a ilustrar a entrada Xanax, na enciclopédia de farmacologia.
  • mega shark vs giant octopus é bom filme? Então isso pergunta-se? Já viste bem o título? Qual Citizen Kane, qual quê. O Mega Shark vs Giant Octopus é, tão-só, a mais importante obra da história do cinema. Vê o trailer e já conversamos.
  • meninas do conde redondo - Tão querido, "meninas". Os matulões que lá andam iam adorar ler isso.
  • porque michael jackson sofreu tanto - Porque era doente dos nervos. E o pai batia-lhe na cabeça.
  • quanto é 1912 + 2009 - E o rabinho lavado com água de malvas, não? Qualquer dia querem ser teletransportados através do browser. Ou ficar invisíveis. A internet é boa mas não faz milagres. Achavas que chegavas ao computador, escrevias isso no google e cá vai de obter a resposta? Não, senhor. Eles ainda não inventaram tudo. Para contas dessas tens de dar uso aos dedinhos. Mas vá - como o Cálssio é um blogue que dá, tirei a tarde para fazer isso por ti. Toma: 3921.
  • rimar paixão - Tem juízo.

7 de Julho de 2009

Só vim cá ver a bola.

Começa a enjoar, esta insistência da classe jornalística em entrevistar individualidades nos metros que distam entre as salas de refeições e o carro. A classe dos que informam tem que saber que, em almoços ou jantares de convívio, é servido e sorvido vinho. Que o estômago para onde o divino néctar escorre é sempre acamado por um aperitivo, e que tudo isso é rematado com um digestivo. Ou dois, ou três. A isso devemos acrescentar umas quatro ou cinco flutes de espumante, se o repasto tiver como propósito a comemoração de um qualquer negócio, evento ou feito. Ou seja: ninguém está em condições de falar em directo para a televisão depois deste tipo de almoços. Uma meia dúzia de horas depois, já com uma sesta reparadora sobre o couro e a taxa de alcoolemia em níveis que permitem a circulação a pé e a articulação de sílabas, ainda vá. Mas logo a seguir, ainda a última pedra de gelo não derreteu? Claro que não.

Pois que raio, porque é que isto é elementar para toda a gente, menos para os repórteres? Falo, em particular, dos repórteres que andam a cobrir o Cristiano e que, ontem, deram conta do número de passos que ele deu entre a real cama e real retrete, e de quantos pêlos então se soltaram do real ronaldo.

Reconheço que se impõem valores de serviço público e de interesse nacional, e está bem que estamos perante um negócio de valores nunca antes desembolsados, um evento de inigualáveis proporções, um feito que par de torres trémulas algum conseguiria ofuscar. Aliás, mais depressa me apanhavam a renegar a nacionalidade do que me conseguiriam sacar qualquer frase de desalento perante o espectáculo de apresentação do puto-maravilha, no estádio do Real Madrid. Acho até que expressões como se isto é jornalismo vou ali e já venho, mas aquelas oitenta mil pessoas não têm mais que fazer?, a mim que acordo às seis da manhã ninguém bate palmas, se não marcar golos depois quero ver, ou tanta a gente a morrer à fome deviam ter conduzido à expatriação automática de quem quer que as tivesse proferido, durante o dia de ontem. Fora com esses bandidos.

Contudo, acho que há limites que só o bom-senso consegue impôr. E bom-senso foi tudo o que faltou aos entrevistadeiros que se acercaram do Eusébio e lhe pediram para dizer umas coisas sobre o Cristiano Ronaldo - depois do almoço, em Madrid, com a cidade em festa e um calor de morrer. Pois se prudência tivesse havido, não teria o mundo inteiro de ter puxado do dicionário metafísico para compreender o que a Pantera Negra achou por bem balbuciar. A saber:

O Ronaldo tem todas as condições. Se o Ronaldo é considerado o melhor jogador do mundo, com certeza que. A única coisa que os portugueses devemos desejar-lhe é sorte. O conselho que eu dou, ele já sabe. Aliás, já falei uma vez e demonstrou que estão no bom caminho. Só espero que não haja lesões da parte dele, porque é. No Real Madrid, aqui também exigem. Mas eu penso que ele está pronto para essa situação de enfrentar, porque é um rapaz que eu acredito nele.

O download gratuito do discurso bem-regado de Eusébio da Silva Ferreira, aqui.

6 de Julho de 2009

The Bible versus movies mash-up.















Ronda pelo Daytrotter.

Tricky

Ane Brun

Vic Chestnutt

Cold War Kids

Juliana Hatfield

Stephen Malkmus

Glasvegas

Peter Bjorn and John

Black Lips

Juliette Lewis

White Lies

Los Campesinos!

Patrick Wolf

O Daytrotter continua a cumprir o desígnio de oferecer, todos os dias, um novo conjunto de canções interpretadas por músicos de renome ou em franca ascenção, em exclusivo para os utilizadores do site. Entre as novas aquisições, e a somar aos nomes que enumerei aqui, encontramos os artistas acima ilustrados.

Nova música de Air.

O site oficial dos Air oferece, a partir de hoje, o download gratuito de um tema do álbum Love 2, a ser editado a 6 de Outubro. É preencher um formuláriozinho e ver Do The Joy a viajar de França até aos nossos computadores, em meio segundo, como que por magia. Aqui.

"Giallo", de Dario Argento.



Giallo significa amarelo, em italiano. Amarelas eram, também, as capas dos romances de cordel que deram origem à propagação do termo enquanto sinónimo literário e cinematográfico de mistério, crime, fantasia e terror. Nos filmes giallo nunca faltam, desde os anos sessenta, longas sequências de assassinatos (adornados com vários litros de sangue), movimentos e posições de câmara arrojados e arranjos musicais sinistros. Foi isso mesmo que o mestre Dario Argento prometeu colocar no ecrã quando, no ano passado, anunciou o início da rodagem do filme de homenagem ao género que ajudou a fundar. A ver pelo trailer que aqui vos deixo, cumpriu. O filme chama-se Giallo, é protagonizado por Adrien Brody (The Pianist) e estreou, há meia dúzia de dias, no Festival de Edimburgo.

5 de Julho de 2009

Diz muito sobre o mundo em geral (e sobre mim, em particular) que, perante o alinhamento do novo álbum de Gossip, se pense que a música Four Letter Word se refere a foda (fuck), quando na verdade os meninos falam de amor (love).

Verdade absoluta #1091.

Há uma probabilidade grande de o universo entrar em colapso se aquele tipo voltar a dizer, com aquela cara que o pretensiosismo confere aos seres humanos, que o blogue dele não é bem um blogue, é mais um e-book.

Era o Lorival um garoto.






























Não é sem dose grande de ansiedade que aguardo a elevação das quintas-feiras de cozido no café-pastelaria Apache, à rua Luciano Cordeiro, ao estatuto de cool-place-to-be de finais dos anos zero. Lá estarei eu, então, na linha da frente da memória-indutora-de-inveja, a lembrar a todos os outros as tertúlias que ali se faziam, a partir do quarto para o meio-dia e até ao recolher da última toalha de papel. Eu, a corporação de bombeiros de Campo Santana, diversos funcionários da construção civil, aquela senhora pequenina que se apresenta como costureira do Manuel Alegre e, a servir às mesas como ninguém, o brasileiro Lorival - a quem, apesar de ele ser meio monhé, todos damos o petit-nom de Louro.

Porém, enquanto o reconhecimento socio-cultural da farinheira e do chouriço de sangue do Apache não chega, embandeiro em arco com aquela conversa de que a consciência esclarecida e modernaça do país foi criada durante os anos oitenta, no Frágil. Antes de os instantes que estas fotografias documentam terem lugar, no tempo e no espaço, Lisboa não era menos província que Tondela, Cantanhede ou São Bartolomeu de Messines. Só depois de a mítica danceteria de Manuel Reis entreabrir as portas é que o sentido estético, o bom-gosto musical, as crónicas de imprensa atrevidas e o cosmopolitismo de esquerda ganharam forma e mau feitio, em Portugal. Porque - reparem bem - estavam lá todas, todinhas, quais gotas de um imenso copázio de meio-gordo de onde toda a nata haveria de sair. A beber copos, a ensaiar toáletes, a brindar ao recorde de homens-giros-por-metro-quadrado que então se anunciava e que por muito tempo perduraria. Confiantes, optimistas, seguros do seu papel enquanto ... erm... alargadores do colectivo horizonte. Talvez tão seguros que não pudessem ainda contemplar ou prever a reviravolta que, duas décadas depois, eu e a costureira do Manuel Alegre havíamos de conjecturar, às quintas-feiras, sobre os pratos que o Louro serve. Mas isso é outra conversa e, sob a forma de grande Palmatória, cá estarei eu, daqui a vinte anos, para recolher - uma a uma - as mãos desta gente toda.

Serve ainda este belo conjunto de fotografias para, de uma vez por todas, pôr fim ao rumor de que a jornalista Fernanda Câncio nasceu já depois da viragem de milénio.


Muitíssimo obrigado à Mónica Freitas, que me concedeu a autorização necessária à publicação destas suas fotografias.

2 de Julho de 2009

O incidente dos chifres.

Pois que, na sequência do episódio parlamentar a que a imprensa se refere como o incidente dos chifres, Portugal ficou sem ministro da Economia. Contudo, à saída do hemiciclo, Manuel Pinho fez saber que achava que tinha todas as condições para permanecer no governo. Ora, está bom de ver que isto revela a inocência, senão mesmo a candura, de que o movimento de mãos que levantou toda esta celeuma esteve originalmente revestido. É que, apesar de ter mandado abaixo a casa onde nasceu Almeida Garrett, de que era proprietário, Manuel Pinho é, também ele, um poeta. Um homem de metáforas, que em nenhum momento quis insinuar que o deputado comunista Bernardino Soares, a quem se dirigia naquele instante, mais parece uma grande vaca. Mas nem a preguiçosa da surda-muda que vive no quadradinho inferior esquerdo do ecrã se dignou a tentar perceber, e a explicar à sua gente, que queria dizer o ministro com aquilo. Um ultraje de injustiça, no fundo.

Aqui, entendemos (reparem no plural institucional) que a consciência política de cada um obriga à extracção dos significados escondidos até nos gestos que aparentam grosseria. Assim sendo, o Cálssio decreta que a mímica de Manuel Pinho foi manifestamente incompreendida e mal-interpretada. Porque a injustiça, o rumor e a destilação de veneno são coisas que a este blogue muito entristecem, aqui ficam diferentes modos de subtrair simbolismo e de justificar o incidente dos chifres, sem malícia nem má-vontade. O que o ministro da Economia quis dizer foi, sem dúvida alguma, uma destas cinco coisas:
  1. justificação pela metáfora combativa - Senhor deputado Bernardino Soares, o país está em crise! Temos que pensar em formas de a ultrapassar e de encarar os problemas de frente. Temos, enfim, de pegar o touro pelos cornos!
  2. justificação pelo Plano Tecnológico - Senhor deputado Bernardino Soares, já mandei vir duas anteninhas de satélite para pendurar aqui na cabeça. Todo eu vou ser um avançado dispositivo receptor de ideias para reanimar a vitalidade económica do país.
  3. justificação pelo elogio à supremacia intelectual alheia - Senhor deputado Bernardino Soares, quem dera a este humilde governante deter os dois palminhos de testa que o senhor deputado demonstra que tem, de cada vez que abre a sua comunista boca. Aliás, corrijo: quais dois palmos, senhor deputado, bastavam dois dedos! Aqui, olhe, assim.
  4. justificação pelo discurso pedagógico com ilustração - Senhor deputado Bernardino Soares, PIB per capita é produto interno bruto por cabeça. A cabeça é esta parte do corpo que o pescoço segura. Espere aí, senhor deputado, que vou enquadrar a minha capita para o senhor deputado perceber melhor. (...) Arre, malditas orelhas que não me deixam enquadrá-la toda - obsctaculizam-se-me os dedos aqui na zona da testa. Mas é isto, senhor deputado, é isto. PIB per cabeça.
  5. justificação pelo acesso repentino de atraso mental - Ó Bernardino, olha para mim! Sou um caracolinho! Olha aqui os meus pauzinhos ao sol!

1 de Julho de 2009

Luva branca (comprei o cd de Gossip).

Não tenho scanner, Miguel Oliveira da Sony Music Portugal, mas a factura está aqui na minha mão e diz: Music For Men - €10,95. Na capa vem uma sapatona a preto e branco e Gossip surge em cinzento-clarinho. O disco em si é redondo, espelhado e tem aquele cheiro dos cedês novos de que eu já mal me lembrava. Comprei-o, caramba! Dá cá um abraço!
  • O video oficial de Heavy Cross aqui.

30 de Junho de 2009

O último ensaio.




A AEG Live, promotora da digressão que nunca chegou a ser, tem planos para editar um DVD com o último ensaio para o novo concerto de Michael Jackson, filmado em alta-definição na passada quarta-feira. Acima, quatro fotografias da derradeira actuação.

Pina Bausch 1940-2009.

I am more interested in what moves people,
than how they move.

Remake de Let The Right One In.

Prossegue a demanda norte-americana pelo remake instantâneo de filmes originalmente filmados em países onde não se fala inglês. Matt Reeves (Cloverfield) prepara-se para começar a rodar Let Me In, uma versão hollywoodesca do sueco Let The Right One In. A história da improvável amizade entre um miúdo e uma vampira terá o Colorado como cenário e vai passar-se nos anos oitenta. Estreia no Outono de 2010.

Mais sobre Let The Right One In aqui.

29 de Junho de 2009

O som e as curvas.

A minha mãe baixa sempre o volume do rádio do carro quando tem de fazer uma manobra difícil. Quando a visibilidade é manifestamente reduzida, chega mesmo a apagá-lo. Ver a minha mãe a anular o ruído quando o que precisa é ver bem sempre me fascinou (e sempre me deu vontade de rir). Talvez só quem conduza possa saber porque é que a música e a perícia automobilística nem sempre são compatíveis. Pode ser que, quando eu finalmente pegar num carro, perceba que o regime sensorial necessário à marcha-atrás exige o silenciamento das linhas de baixo e dos acordes de guitarra. Por enquanto, e enquanto não guio, continuo a achar que vou ser um condutor mais do género de reagir às curvas apertadas, às passagens de nível e aos lances de grande inclinação... subindo o volume. Como peão, pelo menos, é isso que tenho feito.

Tão boa pessoa e sofreu tanto.

E eu que pensava que gostar do Michael Jackson era cheesy. Que ter o vinil do Thriller em casa fazia parte da cartilha, mas que saber de cor os versos da discografia pós-1982 era chamar a nós o epíteto de Supremo Piroso. E eu bem sei o que passei e o que ouvi quando, em plenos anos noventa, resolvi cobrir uma das paredes do meu quarto com all-things-Michael. Até o meu irmão Miguel - que dividia o quarto comigo e com o Michael Jackson - se insurgiu. Eu não gosto desse homem, já chega de posters. Mas não gostas porquê? Porque ele mete-me medo.

O Michael Jackson metia medo a toda a gente e nem os mais arrojados e despreconceituosos DJs se atreviam a passar qualquer música do homem (para além dos sacramentais Billie Jean e Don't Stop 'Til You Get Enough). No entanto, nos três dias que se seguiram ao esticanço do pernil, temas como The Way You Make Me Feel, You Rock My World, Man In The Mirror ou Smooth Criminal tiveram mais airplay nos bares do Bairro Alto do que nos vinte anos anteriores. De repente, e afinal, toda a gente adorava a música do Michael Jackson. Foi preciso uma paragem cardíaca para que todos nos permitíssemos entoar os álbuns Bad e Dangerous, em voz alta, sem vergonha. Até a nata da esfera indie, até sexta-feira passada demasiado self-conscious e autista para que se permitisse introduzir referências ao Wacko no discurso, se tem chegado à linha da frente dos louvores, por estes dias. E que fartote tem sido ver gente como MIA, Friendly Fires, Little Boots, The Cool Kids, Yeah Yeah Yeahs, The Streets, Dizzee Rascal, The Noisettes, TV On The Radio, Death Cab For Cutie ou The Pains Of Being Pure At Heart dizer que estão que nem podem, agora que o cantor quinou.

Façamos então, só para variar, o tributo ao anti-tributo. E ergamos ao olimpo da coerência dois músicos que, de forma tão subtil que mais in-yer-face era impossível, deram a entender que se estão absolutamente defecando para a morte do Michael Jackson. Este fim-de-semana, no festival de Glastonbury, Bruce Springsteen abriu o concerto com uma dedicatória a Joe Strummer, dos The Clash. Já Nick Cave, que também subiu àquele palco, preferiu oferecer a sua prestação à memória da actriz Farrah Fawcett. Assim, preto no branco.

E agora: will the real Michael Jackson fans please stand up?

28 de Junho de 2009

O Cálssio no Facebook.

A bem dizer, ainda não percebi muito bem para que é aquilo pode servir. O Cálssio tem ano e meio de vida, por isso ainda é cedo para tentar localizar amigos de infância. É também, por definição, uma coisa virtual - logo, não pode ser fotografado e etiquetado para que os seus contactos vejam as figuras que faz quando sai à rua. O meu blogue não consegue, portanto, tirar o partido que as pessoas - todas as pessoas - andam a tirar do facebook. Mas eu abro aquela aplicaçãozinha das sugestões, e o que vejo? CP - Comboios de Portugal - become a fan. Nutella - become a fan. Bon Jovi - become a fan. Flipping The Pillow Over To Get To The Cold Side - become a fan. Casper, The Friendly Ghost - become a fan. Laughing When Someone Falls - become a fan. Estoy Contra El Maltrato Aninal - become a fan. I Don't Sleep Enough Because I Stay Up Late For No Reason - become a fan. Topo Gigio - become a fan.

Está bom de ver que o Cálssio estava todo roídinho. Queria que os seus leitores pudessem tornar-se ventoínhas, como as outras. Por isso, já lá está, todo armadão. A página do Cálssio no facebook mora aqui e está aberta a todos quantos lá queiram publicar baboseiras, partilhar fotografias, aconselhar linques e todas essas coisas que vocês fazem durante o horário de expediente. Become a fan!

O Outono/Inverno é com orelhas.

É um ovo da Páscoa? É o coelho de Alice In Wonderland? É a Cindy Scratch a repousar antes da actuação no Arraial dos Maricas? Não, gente. É a Mázonna, aquela que por estes dias tem o site oficial de luto em homenagem àquele senhor de cor que morreu derivado aos comprimidos, fotografada por Steven Meisel para a colecção Outono/Inverno da Louis Vuitton.

27 de Junho de 2009

Remisturas, versões, raridades.


Michael Jackson Ultimix Medley
Dancing Machine
We Are The World
(com Ray Charles, Bruce Springsteen, Tina Turner, Cyndi Lauper, Kim Carnes, Bob Dylan, Sheila E, Billy Joel, Huey Lewis, Willie Nelson, Kenny Rogers, Diana Ross, Paul Simon, Lionel Richie, Stevie Wonder, Dionne Warwick, Latoya Jackson, Dan Aykroyd, Bob Geldof, Bette Midler, The Poiter Sisters, Steve Perry)
Ghosts
Come Together [The Beatles cover]
Blood On The Dancefloor
You Rock My World (com Chris Rock)
Hold My Hand (com Akon)

Rock With You (Frankie Knuckles remix)
Don't Stop 'Til You Get Enough (TnT version)

Beat It (The Ultrasound Remix It version)

Billie Jean 2008 (com Kanye West)
P.Y.T. (Marquis remix)
Thriller (instrumental version)
Thriller (Discotech remix)
Get On The Floor (Holy Ghost! remix)
The Way You Make Me Feel (Extended Dance mix)
Dirty Diana (Dreamtime remix)
Scream (Dave Jam Hall's Urban Remix edit) [com Janet Jackson]

Discovery - I Want You Back
KT Tunstall - I Want You Back (ao vivo)
Ben Gibbard - Thriller (ao vivo)
Belle & Sebastian - Billie Jean
Chris Cornell - Billie Jean (ao vivo)
The Lost Fingers - Billie Jean
Supergrass - Beat It

ACTUALIZAÇÃO (30 de Junho, às 13h00) - Todos os links para músicas do Michael Jackson (remisturas incluídas) foram desactivados, a pedido da Sony Music - Portugal. Os covers continuam disponíveis.

25 de Junho de 2009

Michael Jackson 1958-2009.


YYY na BSO de WTWTA.










Hurray! Where The Wild Things Are, adaptação cinematográfica do conto homónimo de Maurice Sendak, já tem data de estreia marcada, em Portugal -16 de Novembro. Realizada por Spike Jonze (Being John Malkovitch, Adaptation), WTWTA conta a história de um miúdo com fato de lobo que é mandado para o quarto de castigo e que daí foge para um mundo de coisas estranhas. Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs, escreveu a banda-sonora original, em parceria com o compositor Carter Burwell. Trailer aqui.

24 de Junho de 2009

Venha a nós.





Um padre por mês, todos os meses, durante todo o ano - é isto que oferece o fotógrafo italiano Piero Pazzi no calendário que acaba de colocar à venda. Dez euros é quanto temos de desembolsar para ter a versão em papel de doze irmãos de carne e osso (mas a preto e branco, não vá a cor tecê-las). Sobre a cama, por cima do balcão da cozinha ou onde mais for aprazível, é pendurar isto e ver a fé renovada como que por milagre. Dá para contar dias, semanas, feriados santos e azulejos. Diz-se ainda, à boca fechada, que o Vaticano chegou a ponderar conceder o carimbo oficial da Santa Sé ao calendário, tendo desistido da aprovação quando soube que os modelos de catolicismo ali retratados tinham menos de trinta anos, cabelo bem cortado e pouco ou nenhum óleo sobre a tez.

Ouvi dizer que também há um calendário destes com freiras e apetecia-me imenso mostrá-lo aqui. Infelizmente, não tive tempo.

23 de Junho de 2009

I ♥ True Blood.

Ou são os vestígios de quatro anos num colégio de freiras a dar de si e a obrigar-me a Dar a Outra Face, ou trata-se apenas de um leve gosto pela humilhação. Mas a minha consciência acha que o mail que mandei ao Nuno a reconhecer a minha suprema incoerência não chega. As vergastadas que em mim inflijo têm de ser públicas. É imperioso que todos saibam que, uns míseros dois meses depois de ter escrito cobras e lagartos acerca da série True Blood, dou por mim à procura dos episódios da segunda temporada horas depois da sua transmissão na televisão norte-americana. Sim, sim. Eu, que subliminarmente fiz pouco de quem se confessava acérrimo seguidor daqueles vampiros redneck, nem consegui esperar pela companhia da minha inquilina para ver os dois novos capítulos. Sorvi-os sozinho, durante a tarde, como um alarve. Nem sei mesmo se o Nuno ou o André, os fãs contra os quais me insurgi em Abril, tiveram a pressa que eu tive.

E o pior nem é isto. A máxima mudar de opinião é saudável acolhe tanto prestígio que nem haveria motivo para eu ter pudor em reconhecer que estava enganado; que, afinal, True Blood é uma excelente produção televisiva e que a ferocidade com que agora a vejo, quase em simultâneo com os espectadores dos Estados Unidos, é apenas proporcional à qualidade daquele enredo, daquele elenco, daquela equipa técnica. Mas não é o caso e é isso que me aflige. Aflige-me ler o post bota-abaixo que redigi há duas luas atrás e ver que não sou capaz de retirar uma vírgula. True Blood continua a surgir ante mim como um produto manhoso, mal escrito e francamente medíocre. A única diferença é que, hoje, sou capaz de admitir que me presto a tranches semanais de algo negativo e que retiro um imenso prazer disso mesmo. Assim se prova, então, que aquela do quanto-mais-me-bates é também aplicável à ficção filmada e que eu, outrora menino de colégio de freiras, já não passo sem o meu quinhão semanal de bofetadas. No intelecto, claro está.

22 de Junho de 2009

Alice In Wonderland.




Tim Burton concedeu ao jornal USA Today a honra de reproduzir, em primeiríssima mão, um conjunto de ilustrações a partir das quais o filme Alice In Wonderland tem sido filmado. Protagonizado por Johnny Depp, Anne Hathaway, Michael Sheen e Helena Bonham-Carter, a adaptação que Burton está a fazer da obra que Lewis Carrol escreveu, em 1865, estreia em Março de 2010.

Ao Cálssio, Tim Burton não concedeu honra absolutamente nenhuma. Chego até a admitir a hipótese de esse ilustre cineasta nunca ter ouvido falar da gente. De modo que é sem autorização de nenhuma espécie que aqui reproduzo, em segundíssima mão, as belas imagens de que falo no parágrafo acima. E não me vão agora dizer que lêem o USA Today todas as manhãs, ou vão?